Produção e consumo solidário!

As mulheres quilombolas bonequeiras de Alto Alegre/Horizonte participaram, nos dias 04 e 11 de fevereiro, de uma formação em gênero, raça e produção solidária. A metodologia utilizada permitiu que o grupo realizasse uma rememoração da comunidade, trazendo elementos identitários que serviram e servem para manter os laços de solidariedade na produção feminina e quilombola. Leuda, professora, quilombola e bonequeira, apresentou o mapa da comunidade apontando para o canal do trabalhador e o canal da integração, ícones das políticas intervencionistas e desenvolvimentistas do governo do estado. Segundo ela, havia um córrego no lugar do canal da integração que a comunidade usava para lazer, pesca e banho no período do inverno.

Em seguida, as mulheres foram incentivadas a pensar sobre a importância de olhar pra dentro: “Que grupo temos hoje e qual grupo queremos”. Houve uma descrição geral dos elementos e características individuais e coletivas, relacionadas à participação na produção, comercialização, parcerias, geração de renda, processos, equipamentos, espaço de produção, demandas/encomendas, comunidade e satisfação do grupo. Destacaram a importância de trabalhar a autoestima das mulheres que não preenchem os padrões impostos pelo mercado de trabalho capitalista.

Muitas vezes os projetos e oficinas que surgiam na comunidade eram direcionados às jovens, e as mulheres na fase adulta e meia-idade se questionavam porque não estavam inseridas no contexto de formação. Existia uma preocupação com a geração de renda, sobretudo com a divisão das despesas com o marido. Então, um curso de corte e custura auxiliou na organização do grupo e na estruturação da produção. O grupo nasceu das produções individuais que, organizadas coletivamente, desencadearam a produção das bonecas.

Atualmente, o grupo de bonequeiras quilombolas de Alto Alegre/Horizonte espera o reconhecimento do grupo na comunidade e fora da comunidade como mulheres produtoras. “É um divertimento produzir, juntar as mulheres pra conversar e produzir”. Há um fortalecimento dos vínculos familiares e identitários para além da geração de renda. As bonecas negras traduzem a identidade da comunidade quilombola e apresentam uma economia quilombola baseada em traços identitários, no território e na tradição oral. As atividades compõem o cronograma de ações do Projeto AYO – Mulheres Negras em Rede, que realizará debates e formação para grupos de mulheres em Fortaleza. O projeto é apoiado pelo Fundo Elas de Desenvolvimento Social e envolve mulheres de Fortaleza e Horizonte.

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